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domingo, 6 de novembro de 2016

'Aquelas canções do Roberto' falam por si na volta do 'Rei' à cena carioca



Texto: Mauro Ferreira.
FonteG1.Globo.com
Fotos: Mauro Ferreira
Edição: Jorge Luiz da Silva               
Salvador, BA (da redação Itinerante)



"Eu vou tentar dizer cantando tudo que eu gostaria de dizer falando", avisou Roberto Carlos logo no início do show que trouxe o cantor capixaba de volta aos palcos do Rio de Janeiro (RJ), cidade que o abriga desde os anos 1950. Na verdade, Roberto falou bastante entre as músicas do show apresentado na casa Metropolitan na noite de ontem, 4 de novembro de 2016. Mas o cancioneiro perene e irresistível do compositor falou mais alto. E falou por si só. Tanto que o eterno Rei da canção popular brasileira mais uma vez seduziu os fiéis súditos ao reciclar as mesmas emoções de sempre a reboque da obra construída com o parceiro Erasmo Carlos.

O cantor, diga-se, fez essencialmente o mesmo show que faz há anos. Alterou levemente o roteiro, que nos últimos quatro anos passou a incorporar a derradeira boa canção do Roberto, Esse cara sou eu, lançada em novembro de 2012. Mas a inclusão ou supressão de uma e outra canção mantém inalterado o formato do show regido por Eduardo Lages, maestro do conjunto RC 17. Inalterado também permanece o amor das senhoras brasileiras por Roberto. No show de ontem, as intervenções delas, em voz alta, pontuaram a maioria dos números. "Que saudade, Roberto!", soltou uma no meio de Outra vez (Isolda, 1977). Umas e outras gritaram frases efusivas em Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971). Juntas, fizeram coro em Como é grande o meu amor por você, na abertura instrumental do show, e repetiram o coro no fim da apresentação assim que a canção de 1967 reapareceu no roteiro na voz do cantor e compositor deste tema tão singelo quanto pueril.

 



Encorpada pelos metais da banda, a música Ilegal, imoral ou engorda (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1976) – lançada há 40 anos – soou renovada na pulsação dos sopros que evocavam a fase em que Roberto se deixou levar pelos ventos da soul music norte-americana dos anos 1960. Mas os tempos são outros. E Roberto também é outro. Nunca foi inocente, como ressaltou em cena, mas foi ficando conservador. Tanto que, ao cantar ontem o soulAlém do horizonte (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1976), trocou o verso "De que vale o paraíso sem amor?" para "Só vale o paraíso com amor". Em vez da pergunta, a resposta pronta para fazer a cabeça do público tão ou mais conservador do que o cantor.

Firme nas próprias convicções, o cantor fez Desabafo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1979), expiou a saudade da mãe em Lady Laura (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978) e jogou charme para a plateia em Olha (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1975) dois números após ter cantado Nossa Senhora (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1993) no habitual feitio de oração. Essas e outras canções do Roberto continuam falando por ele e por si só através dos tempos.




Aos 75 anos, Roberto Carlos pode já não ter a mesma emissão vocal dos tempos idos. Mas ainda é senhor cantor. Quando lançou mão de obras-primas como Sua estupidez (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969) e Se você pensa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968), foi fácil entender poque o Rei permanece no trono há mais de 50 anos. (Cotação: * * * *)

(Crédito da imagem: Roberto Carlos no palco do Metropolitan, em 4 de novembro de 2016, em fotos de Mauro Ferreira)




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