Texto: Mauro Ferreira
Fonte: G1.Globo.com
Fotos: Reprodução
Edição e arte: Jorge Luiz da Silva
Praia do Forte, BA (da redação Itinerante)
Exímia tocadora de pífano, flauta típica da música nordestina, Isabel Marques da Silva (Buíque / PE, 12 de janeiro de 1924 – Monteiro / PB, 5 de Agosto de 2017) sai de cena na manhã de hoje, aos 93 anos, com o devido reconhecimento pelo talento de instrumentista. Vítima da doença batizada como Mal de Alzheimer, Isabel foi (re)conhecida com o nome artístico de Zabé da Loca.
Contudo, para que o som da instrumentista ecoasse além das fronteiras da Paraíba, foi preciso que Zabé saísse da loca, ou seja, da gruta cavernosa em que se abrigou por longos 25 anos com a família. Embora tenha nascido em Pernambuco, no município de Buíque (PE), foi na Paraíba, para onde migrou na adolescência, que Zabé fez fama local no manejo do pífano que aprendeu a tocar com um irmão, aos 10 anos.
Descoberta em 2003, aos 79 anos, gravou naquele ano o primeiro álbum com composições de lavra própria, Canto do semi-árido, recebido com curiosidade no universo musical brasileiro por conta da trajetória lendária da vida da artista. Quatro anos depois, em 2007, Zabé gravou o segundo disco, Bom todo, lançado em 2008, ano em que recebeu do Ministério da Cultura a Ordem do Mérito Cultural.
Independentemente do reconhecimento oficial, Zabé da Loca já tinha sido coroada pelo povo com a rainha do pífano, epíteto a que fez jus pelo toque intuitivamente virtuoso da flauta nordestina.
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